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Crianças que são dominadas pelos coleguinhas e crianças que ficam muito dominadoras

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 Isto é mais que uma fase,convivência em grupo é o produto natural e esperado do chamado período de socialização da criança, que se iniciou por volta dos 3 e se completa em torno dos 7, 8 anos. Nessa idade, a turma não é uma marca tão imperativa quanto será na adolescência, mas já concentra força, sim, para determinar regras de conduta, às vezes cruéis e discriminatórias.

     Nessas situações, os pais devem lembrar que o grupo de amigos não se forma ao acaso, mas a partir de fatores como valores sociais e a condição econômica. E se os princípios da família estão muito distantes do que é preconizado pela turma, a convivência da criança com os amiguinhos pode ser mesmo mais delicada. Mas não é o caso de afastá-la do grupo e sim de aproveitar as oportunidades para mostrar as diferenças da vida. Pouco a pouco, ela mesma aprenderá a fazer suas escolhas. 

     Interesses em comum também são pontos agregadores na turma. Nesse quesito, a tendência da idade é a atração pelos iguais, a começar pela formação dos clubes: "Bolinha" de um lado, "Luluzinha" de outro. A seguir, a seleção passa pelas características individuais. Crianças tímidas, por exemplo, tendem a eleger amiguinhos tão retraídos quanto elas e, ao contrário do que se poderia supor, esse não é um fator limitante, ensinam os especialistas.

     A homogeneidade do grupo é positiva nessa fase porque representa segurança para a criança. Entre iguais, os pequenos se sentem mais à vontade para arriscar e trocar papéis: ora testam sua capacidade de liderança, ora descobrem limites à sua onipotência, enquanto todos testemunham as conseqüências dessas atitudes. Já num grupo muito diferenciado, a criança dominadora e a mais submissa, que estão nos extremos da turma, correm o risco de se manter sempre nesses papéis, com uma visão distorcida da realidade. 

    Os arranjos podem ser mais ou menos equilibrados, mas brigas e disputas fazem parte da vida de qualquer turminha. O pano de fundo para es-se comportamento é o gosto pelo poder. Aos 7, 8 anos, a criança já domina com maestria a linguagem, não precisa da mamãe para os cuidados básicos e até dorme fora de casa. Tudo isso lhe dá uma sensação de superioridade, que é nova, e precisa ser testada no grupo. Daí a mania de inventar regras, como levar tal lanche, ir de cabelo solto ou preso, não dar bola para este ou aquele. Pelo mesmo motivo, eles adoram fazer comparações. Todos sabem quem tirou a nota pior, quem acertou o exercício, quem conseguiu ou não fazer a lição. Eles só querem mostrar o quanto sabem, mas é assim também que criam caso, disputando poder.

    As regras impostas pelo amiguinhos só devem preocupar os pais caso a criança comece a dar sinais de que está sofrendo muita pressão. Os principais sintomas são irritabilidade, retraimento, melancolia e mau desempenho escolar. Em casos mais graves aparecem os problemas psicossomáticos, como se o corpo "pagasse o pato", adoecendo.

    O melhor a fazer nessas situações é conversar com a criança, procurando o-rientá-la sobre como agir com os colegas. A escola costuma ajudar nessa tarefa, indicando caminhos ou situando os pais em relação ao que é um problema específico do filho ou comum às crianças da mesma idade. O importante, seja qual for a dificuldade, é não pressionar ainda mais a criança com críticas à sua maneira de agir. É no carinho, respeito e compreensão dos pais que os filhos encontram o modelo mais adequado para reproduzir nas relações fora de casa.

 

                                                                                                                                                                                                               

 

                                                                                                                                         

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