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Convivência de crianças que têm os pais ausentes

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        Pais ausentes são aqueles que enfatizam mais as atividades extra-familiares em detrimento da satisfação das necessidades básicas de seus filhos. Estes pais encontram-se pouco com os filhos, comunicam-se precariamente, não havendo noção de limites e de rotina familiar. Eles, em geral, não controlam a escolaridade de seus filhos, e mesmo quando chamados pela escola, não comparecem.Outros alegam que não são presentes na vida escolar do filho,devido ao trabalho. 

     A prática com famílias na Justiça tem mostrado que um problema comum enfrentado pelos filhos pós-separação dos pais é a triangulação na relação conjugal, onde ele acaba servindo como intermediário dos conflitos. É comum que ambos os progenitores enfrentem dificuldades para realinharem as relações e muitas vezes precisam chamar outros membros da família para ocuparem papéis que estão vazios.

     Os triângulos temporários que podem ter incluído um filho, uma avó ou um pai na posição vazia percebida na hierarquia têm a tendência de solidificar-se, criando sintomas ou disfunção em um ou mais membros da família. Assim, a escola estaria perpetuando uma tendência de funcionamento que a família descasada já possui.

     A presença do pai na vida do filho é tão importante quanto à da mãe, cada qual desempenhando funções específicas nas várias etapas do desenvolvimento.O pai, tem o papel de colocar limite na relação exclusiva da mãe com o filho, ajudando a criança a relacionar-se com o mundo que a cerca. Representa a autoridade, as regras. Também tem um papel importante na construção da identidade sexual dos meninos e das meninas por caminhos diferentes. Nos meninos, torna-se um modelo de identificação masculina e, nas meninas, auxilia na valorização da feminilidade, contribuindo para a identificação como mulher.

     Entretanto, muitas mulheres criam seus filhos sem a presença paterna. Eventualmente, devido à morte do parceiro, mas freqüentemente devido ao afastamento do pai após separação ou pela opção materna de criar o filho sozinha.

     A ausência paterna pode determinar estados de insatisfação, assim como depressão afetiva na mãe, atingindo a criança indiretamente. Em situações como essas, é freqüente que o filho participe das críticas que a mãe faz ao pai, transformando-se num confidente da mesma. Contudo, é recomendável que a imagem paterna não seja contaminada pela amargura ou aversão da mãe ao ex-companheiro.

 

     Mães solteiras ou separadas, que levam uma vida solitária, sem apoio de seus familiares e amigos, devem ter o cuidado de não sobrecarregar a criança, tratando-a como um companheiro. Quando a mãe está consciente de sua fragilidade, é importante que possa buscar a ajuda de alguém adulto, como amigo, familiar ou profissional de saúde. Se a criança pergunta pelo pai quando este é ausente é importante que a mãe lhe fale a verdade, observando que entrar em muitos detalhes poderá atrapalhá-la, ainda mais se for pequena. Pense que o que a criança mais quer é ter um pai e poder pensar na sua existência.

 

      Se a criança relaciona-se exclusivamente com a mãe, pode ter dificuldade em seu processo de aquisição de autonomia e no estabelecimento da identidade sexual. Entretanto, as conseqüências disto poderão ser minimizadas se a mãe possuir o suporte de sua família e de amigos. Além disso, se na família materna houver um homem estável e carinhoso será importante envolvê-lo para que possa contribuir no exercício da função paterna. Contudo, é necessário que a mãe tenha muito cuidado ao apresentar a criança a um eventual companheiro, porque se for uma relação temporária, poderá expor a criança a uma nova perda.

 

       Quanto a causa da ausência paterna, penso que muitos pais que são ausentes, também tiveram relações inconsistentes com seus próprios pais e carecem de um modelo paterno estável, não conseguindo oferecer aquilo que não tiveram a sua própria família. No caso da criança não conviver com o pai, mais adequado é a mãe buscar prover a criança de atenção e acompanhar seu desenvolvimento e necessidades afetivas, buscando orientação de profissional quando se fizer necessário.

 

                                                                                                 

                                                                                                              

 

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